MISSIONÁRIA

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

RESUMO: Antropologia Cultural






                 HIEBERT, Paul G. O Evangelho e as Adversidades das Culturas: Um guia de Antropologia Missionária São Paulo: Vida Nova, 2010.

              
                  A Cultura pode chocar-se com os conceitos bíblicos, constituindo-se num problema para os missionários, para tanto quando se fala de missões, o trabalho transcultural requer sensibilidade diante dos costumes e rituais do povo, distinguindo aquilo que é abominável e o que não é.

               Na Bíblia no inicio da Igreja, em Atos dos Apóstolos, existiam conflitos da parte dos judeus em relação aos gentios que se convertiam ao cristianismo, houve necessidade de reunir a Igreja para se tratar de assuntos com respeito à cultura judaica, passamos pelo mesmo problema hoje quando se falam de missões em outros países, cidades, lugarejos e bairros. Qual a posição de um missionário diante de varias culturas? Dentre vários problemas em relação à cultura as mensagens bíblicas devem ser aplicadas aos distintos contextos culturais. Por tanto, faz-se necessário “unir os abismos” culturais a partir de uma compreensão clara de si mesmo e do povo a quem se pretende servir.

                Segundo, Paul Hilbert entende-se de cultura “Os sistemas mais ou menos integrados de ideias, sentimentos e valores e seus padrões associados de comportamentos e produtos, compartilhados por um grupo de pessoas que organiza e regulamenta o que pensa, sente e faz.”

               A cultura está dividida em três níveis. O nível cognitivo que está relacionado aos conhecimentos compartilhados pelos indivíduos e o modo como esses conhecimentos são obtidos em seus respectivos sistemas, lugares e Países.  O nível efetivo que trata de gostos pessoais e maneira de expressar os sentimentos e por fim o nível avaliador que fala dos elementos culturais pelos quais os indivíduos de uma cultura são julgados e avaliados.  Concluindo-se que o evangelho se relaciona com todos eles, sendo muito importantes na conversão. Podendo se dizer que no Nível cognitivo as pessoas devem entender a verdade do evangelho, no Nível emocional, devem experimentar o temor e o mistério de Deus e no Nível de avaliação, o evangelho deve desafiá-las a responder a fé em cristo Jesus.



Manifestações de Cultura

              Podemos entender outra parte da definição de cultura inclui “comportamento e produtos.” O ser humano está sempre recebendo estímulos do ambiente em que vive e interage, seu comportamento, ou seja, suas respostas a esses estímulos variam muito de acordo com cada pessoa. As pessoas aprendem a se comportarem por meio de sua cultura. Como comer de garfo ou não, usar pratos ou folhas, como se cumprimentar, etc.

                 A cultura também inclui objetos materiais – casas, cestas, canoas, cartas, computadores entre outros. Como o arco e flecha para nós é um enfeite, mas para um aldeão é o seu meio de sustento. Como para ele um relógio é um enfeito, mas para nós um instrumento de controlar o nosso tempo. Se não dermos importância ao comportamento e objetos ao entrar em uma nova cultura, logo se tornarão comuns e não prestaremos atenção a eles.



Sistemas de Símbolos

                A associação entre dimensões, comportamentos e produtos é chamada de símbolo. Uma cultura é feita de muitos conjuntos de símbolos, a união simbólica entre formas e significados é complexa e variada, a maioria dos símbolos culturais deve ser entendida dentro do seu contexto histórico e quando eles são criados passam a fazer parte do sistema cultural. Muitos símbolos utilizados em locais diferentes adquirem significados diversos. Um indivíduo de terno, num dia útil é um executivo, no domingo é um crente.


Padrões Culturais

                O padrão resulta do agrupamento de complexos culturais de um interesse ou tema central do qual derivam o seu significado. O padrão de comportamento consiste em uma norma comportamental, estabelecida pelos membros de determinada cultura. Essa norma é relativamente homogênea, aceita pela sociedade, e reflete as maneiras de pensar, de agir e de sentir do grupo, assim como os objetos materiais correlatos.

              Os indivíduos, através do processo de endoculturação, assimilam os diferentes elementos da cultura e passam a agir de acordo com os padrões estabelecidos pelo grupo ou sociedade. O padrão cultural é, portanto, um comportamento generalizado e regularizado; ele estabelece o que é aceitável ou não na conduta de uma dada cultura. Nenhuma sociedade é totalmente homogênea,  existem padrões de comportamento distintos para homens e mulheres, para adultos e jovens. Quando os elementos de uma sociedade pensam e agem como membros de um grupo, expressam os padrões culturais do grupo.

      O comportamento do indivíduo é influenciado pelos padrões da cultura em que vive. Embora cada pessoa tenha caráter exclusivo, devido às próprias experiências, os padrões culturais, de diferentes sociedades, produzem tipos distintos de personalidades, característicos dos membros dessas sociedades. O padrão forma-se pela repetição contínua. Quando muitas pessoas, em dada sociedade, agem da mesma forma ou modo, durante um largo período de tempo, desenvolve-se um padrão cultural.

Exemplos - O matrimônio, como padrão cultural brasileiro, engloba o complexo do casamento, que inclui vários traços (cerimônia, aliança, roupas, flores, presentes, convites, agradecimentos, festa, jogar arroz nos noivos, amarrar latas no carro etc.); o complexo da vida familiar, de cuidar da casa, de criar os filhos, de educar as crianças.

Ir à igreja aos domingos, assistir ao futebol, comer três vezes ao dia é alguns dos inúmeros padrões de comportamento que constituem a cultura total.


Cosmovisão

               As pessoas percebem o mundo de maneiras diferentes porque constroem pressupostos diferentes da realidade. Estes pressupostos são chamados de cosmovisão e estão implícitos em cada uma das três dimensões fundamentais (Cognitiva, Afetiva e Avaliadora). Os pressupostos cognitivos, afetivos e avaliadores fornecem às pessoas uma maneira coerente de ver o mundo, a qual faz que se sintam em casa e lhes garantem estarem certas.



Funções da cosmovisão

                  Juntos, os pressupostos implícitos em uma cultura oferecem as pessoas uma maneira melhor de olhar o mundo. A cosmovisão pessoal tem várias funções importantes. Primeiro, nossa cosmovisão nos dá o fundamento cognitivo sobre os quais construímos nosso sistema de explicações, fornecendo justificativa racional para a crença nesse sistema. Segundo, nossa cosmovisão nos dá segurança emocional diante das intempéries. Terceiro, nossa cosmovisão legitima nossas normas culturais mais profundas utilizadas para avaliar nossa experiência e escolher modos de agir. Quarto, nossa cosmovisão integra nossa cultura, organizando nossas ideias, sentimentos e valores em um único planejamento geral e finalmente, Charles Kraft diz que nossa cosmovisão monitora a mudança de cultura, seja por desejo interno ou externo.



                  Em relação às Implicações para missão, segundo o autor aborda sobre as diferenças culturais e a sua influência sobre os mensageiros e a mensagem do evangelho, uma vez que diferentes culturas possuem símbolos linguísticos e hábitos diferentes, as ideias devem ser expressas em formas concretas para que haja uma comunicação efetiva entre emissor e receptor. Fica uma pergunta, o que as pessoas devem fazer com seus velhos hábitos culturais quando se tornam cristãs, e como os missionários devem reagir a essas crenças e práticas tradicionais? Os missionários precisam perceber que as mudanças que introduzem geralmente, têm consequências de amplo alcance em outras áreas da vida das pessoas, e devem ser sensíveis aos efeitos paralelos não intencionais.

               
                  Do ponto de partida para entender a sociedade é a afirmação de que ela pode ser compreendida a partir de manifestações específicas. Em função disso podemos dizer que a compreensão da sociedade somente é possível se nos referirmos a agrupamentos humanos específicos. E esses agrupamentos também são resultantes de processos específicos. Disso se conclui que nenhum grupo humano é igual a outro; pode-se falar de aproximações, mas não podemos nos esquecer de que os fenômenos sociais não se repetem: nem no mesmo grupo social nem em outros grupos, distante ou correlato.
                 Em poucas palavras podemos dizer que as diferentes construções sociais produzem as diversas sociedades. Os comportamentos de uma família são distintos de outras; as manifestações sócio-culturais de uma cidade são distintas de outras; a formação de cada país é específica e não se repete.
Todo povo tem a sua identidade cultural, ou seja, seus costumes e tradições transmitidas de geração para geração.



                Paul Hiebert trata da relação entre evangelho e cultura dizendo que embora a teologia bíblica tenha nos sido dada em um contexto cultural judaico, ela deve ser repassada as outras pessoas de acordo com o próprio contexto social delas. Ele descreve as varias vertentes deste tema falando sobre o “Evangelho versus cultura” onde contrapõe os dois afirmando que o evangelho deve ser separado da cultura, pois, uma vez que ele não pertence a nenhuma cultura, pode ser comunicado com excelência em qualquer cultura. Outra vertente é o “Evangelho na Cultura”. Pelo fato do evangelho ser diferente das culturas humanas, ele deve ser comunicado em formas culturais distintas, dependendo de onde ele estiver sendo inserido. Finalmente o autor fala do “Evangelho em relação à Cultura” afirmando que “Nem tudo da Cultura é condenável”, por outro lado todas têm algumas práticas erradas que foram depravadas juntamente com a queda do homem, por isso o evangelho pode propor mudanças para todas as culturas. 

                   “Toda comunicação autêntica do evangelho em missões deve ser padronizada a partir da comunicação bíblica e deve procurar fazer com que as boas novas sejam entendidas pelas pessoas dentro de suas próprias culturas.”

                                                                                                       
                                                                                                                      Missionária Rita Santos

REFERÊNCIAS:

·      HIEBERT, Paul G. O Evangelho e as Adversidades das Culturas: Um guia de Antropologia Missionária São Paulo: Vida Nova, 2010.