MISSIONÁRIA

SEXTA PARTE – OS LIVROS HISTÓRICOS



INTRODUÇÃO
 
A Bíblia é a Palavra de Deus, que nos chega por intermédio das experiências do povo de Deus. Ela expressa todas as emoções da vida de fé e trata de muitas áreas da experiência humana que podem parecer seculares ou não espirituais.

Em nenhum lugar isso é mais verdadeiro que na literatura poética e de sabedoria. Os salmos expressam todas as emoções que o fiel encontra na vida, sejam elas louvor ou amor a Deus, ira contra aqueles que praticam a violência e o dolo, lamento e perplexidade pessoal ou apreço pela verdade de Deus.

Tradicionalmente, falamos de Salmos e de Cântico dos Cânticos como os livros de poesia bíblica, e de Jó, Provérbios e Eclesiastes como de sabedoria bíblica. Os cinco livros chamados Jó, Salmos, Provérbios, Eclesiastes e Cântico dos Cânticos ainda nos fornecem os melhores exemplos de como ler hinos, cânticos, provérbios e reflexões da Bíblia.

Muitos dos temas e das características das literaturas egípcia, cananéia e mesopotâmica são encontrados no Antigo Testamento, particularmente nas passagens poéticas e de sabedoria. Entre os mais comuns estão:

O paralelismo, recurso em que uma linha de poesia é seguida por uma segunda que de algum modo reitera ou reforça a primeira.

No quiasmo, a segunda linha reforça a primeira com inversão da seqüência de palavras ou frases.

Os provérbios numéricos enumeram um número de elementos ou ocorrências que partilham de uma característica comum.

Num poema acróstico, cada verso ou seção começa com uma letra sucessiva do alfabeto hebraico.

Recursos retóricos. A linguagem da poesia e da sabedoria bíblica visa torná-los interessantes e mnemônicos.


O livro de Jó conta a história de um homem reto (Jó), a quem Deus, por insistência de Satanás, afligiu para lhe testar a fidelidade e a integridade.


O ambiente do livro e os paralelos literários

Fora da Bíblia. Os antigos sábios escreveram muito acerca do sofrimento humano.

A antiga literatura de lamentos com certeza influenciou Jó, em especial na maneira pela qual ele expressou suas queixas.

Dentro da Bíblia. Alguns estilos de material bíblico encontrados em Jó são: Lamentos, Hinos de Louvor, Provérbios, Discurso Profético, Poemas de Sabedoria, Ditados Numéricos, Questionamento reflexivo, Apocalíptica. Jó não é um livro convencional.

 
Data e autoria

Ninguém sabe quando ou quem escreveu Jó. Alguns consideram que ele foi escrito no exílio babilônico, mas o livro não faz alusão a esse fato ou a algum fato da história de Israel.


Unidade e integridade

Alguns estudiosos asseveram que algumas partes do livro são acréscimos posteriores —ou seja, não foram escritas pelo autor original e não são sinceras em suas intenções. Mas o livro fica sem sentido, caso essas partes sejam eliminadas. 


O problema central

O livro de Jó confunde os leitores de hoje. Decerto, alguns leitores crêem que o prólogo resolve o problema: o sofrimento é um teste da humanidade num julgamento cósmico diante de Deus e Satanás.

Na realidade, é consideravelmente pouco o que Jó fala do problema do sofrimento. Entretanto, ainda que o sofrimento seja um fator importante no livro, a questão central não é por que os justos sofrem, mas por que a pessoa deve servir a Deus.
 

ESTRUTURA DO TEXTO

PRÓLOGO
1.1—2.13

O DIÁLOGO COM OS TRÊS AMIGOS
3.1—31.40
O monólogo de abertura de Jó
3.1-26
A primeira resposta de Elifaz
4.1—5.27
Jó responde e ora
6.1—7.21
A primeira resposta de Bildade
8.1-22
Jó responde e ora novamente
9.1—10.22
A primeira resposta de Zofar
11.1-20
Jó abre o segundo ciclo
12.1—14.22
A segunda resposta de Elifaz
15.1-35
Jó lamenta e ora
16.1—17.16
A segunda resposta de Bildade
18.1-21
Jó lamenta e espera
19.1-29
A segunda resposta de Zofar
20.1-29
A resposta de Jó
21.1-34
A terceira resposta de Elifaz
22.1-30
Jó procura a justiça
23.1—24.25
A terceira resposta de Bildade
25.1-6
O último discurso de Jô aos amigos
26.1—27.23
Um hino à sabedoria
28.1-28
O último discurso de Jó
29.1—31.40

OS DISCURSOS DE ELIÚ
32.1—37.24

OS DISCURSOS DE DEUS
38.1—42.6

EPÍLOGO: JÓ É RESTAURADO
42.7-17

O valor teológico

Jó não servia a Deus à toa. Ele aprendeu que o benefício real de sua piedade não eram a saúde, a riqueza e os filhos; era o próprio Deus. Deus, o Criador e Juiz de tudo, está concretizando o triunfo da justiça.


Salmos


O livro de Salmos ou o Saltério é o hinário do culto israelita e o livro bíblico de devoções pessoais.

 

Data e autoria de Salmos

O Saltério foi completado só mais tarde na história israelita. Mas ele contém hinos escritos num período de centenas de anos.

Evidências dos sobrescritos. Uma fonte básica de informações a respeito da data e autoria de cada salmo são os sobrescritos encontrados em muitos salmos. De acordo com eles, entre os autores estão Davi, os filhos de Corá, Asafe, Moisés e Salomão.

Significado e confiabilidade dos sobrescritos. Alguns estudiosos, porém, questionam se os sobrescritos têm por propósito indicar a autoria dos salmos.

A autoria davídica dos salmos. Davi era reputado como cantor e servo dedicado do Senhor, e nada em sua vida é incompatível com a possibilidade de ser salmista.

A data dos salmos. Os críticos mais antigos datavam muitos dos salmos na história posterior de Israel, alguns até no período macabeu. Mas isso já não é aceito.


A compilação de Salmos

Salmos divide-se em cinco “livros”: Livro i: salmos 1—41; Livro ii: salmos 42—72; Livro iii: salmos 73—89; Livro iv: salmos 90—106; Livro v: salmos 107—150.

Não temos informações precisas quanto às datas em que os cinco livros de Salmos foram compilados nem quanto aos critérios de compilação. Cada um dos cinco livros termina com uma doxologia, e o salmo 150 é uma doxologia de conclusão para todo o Saltério.

Tipos de salmos

Ao estudar um salmo, é preciso fazer as seguintes perguntas:

1) Ele era cantado por indivíduos ou pela congregação?

2) Qual o propósito do salmo?

3) Ele menciona algum tema especial, tal como o rei e a casa real ou Sião?

Fazendo essas perguntas, os estudiosos identificam uma série de tipos de salmos.

Hinos. Nesse tipo de salmo, toda a congregação louva a Deus por suas obras ou atributos.

Queixas da comunidade. Nesses salmos, toda a nação expressava suas queixas por problemas que estava enfrentando, tais como derrota em batalha, fome ou seca.

Queixas individuais. Esses salmos são como os de queixas comunitárias, com a diferença de serem orações pronunciadas por indivíduos, não pela nação inteira.

Cânticos individuais de ação de graças. Nesses salmos, uma pessoa louva a Deus por algum ato salvador.

Salmos reais. Esses salmos tratam do rei e da casa real.

Salmos da Torá. Esses salmos dão instrução moral ou religiosa. 

Salmos oraculares. Esses salmos registram um decreto de Deus.

Salmos de bênção. Nesses salmos um sacerdote pronunciava uma bênção sobre os ouvintes.

Cânticos de censura. Esses salmos reprovam os ímpios pelo comportamento vil e prometem que a destruição deles está próxima.

Cânticos de confiança. Nesses salmos o sal­mista pode enfrentar dificuldades, mas permanece seguro do auxílio de Deus e proclama essa sua fé e confiança.


ESTRUTURA DO TEXTO

Salmo da Torá
Salmo 1, 19, 36-37, 78, 119, 127
Salmo real / de censura
Salmo 2
Queixa individual / oração por vitória
Salmo 3
Queixa individual
Salmo 4 a 7, 10, 13, 17, 22, 31, 35, 38-43, 54-59, 64, 69-71, 86, 88, 102, 109, 120, 130, 140-143
Hino
Salmo 8, 29, 46-47, 76, 92, 96, 98, 103-104, 107, 134, 145
Cântico individual de ação de graças
Salmo 9, 30, 138
Cântico de confiança
Salmo 11, 16, 18, 23, 26-28, 61-63, 139
Queixa da comunidade
Salmo 12, 44, 60, 74, 79-80, 85, 89, 123
Salmo oracular / cântico de censura
Salmo 14, 53
Cântico da Torá / hino processional
Salmo 15
Oração por vitória / salmo de bênção
Salmo 20
Oração por vitória
Salmo 21, 144
Hino processional
Salmo 24, 84, 100, 121-122
Salmo penitencial
Salmo 25
Cântico de testemunho
Salmo 32, 34, 131
Cântico de casamento real
Salmo 45
Cântico de Sião
Salmo 48, 50, 65, 125-126, 121
Cântico de sabedoria
Salmo 49, 73, 133
Salmo penitencial
Salmo 51
Cântico de censura
Salmo 52
Hino / cântico de testemunho
Salmo 66
Salmo de bênção
Salmo 67
Cântico de vitória / hino
Salmo 68
Cântico de coroação
Salmo 72
Queixa individual / queixa comunitária
Salmo 77, 90
Salmo oracular
Salmo 81, 82, 87, 95
Maldições nacionais
Salmo 83, 129, 137
Cântico de sabedoria / salmo oracular
Salmo 91
Cântico do reinado do Senhor
Salmo 93, 97, 99
Queixa comunitária / cântico de confiança
Salmo 94
Salmo votivo
Salmo 101
Hino de aleluia
Salmo 105, 106, 111, 113-114, 117, 146-150
Hino / queixa comunitária
Salmo 108
Salmo real
Salmo 110
Hino de Aleluia / cântico de sabedoria
Salmo 112
Hino de aleluia / cântico de censura
Salmo 115, 135
Cântico individual de ação de graças / hino de aleluia
Salmo 116
Cântico individual de ação de graças / hino antifônico
Salmo 118
Cântico de vitória
Salmo 124
Salmo de bênção
Salmo 128
Hino antifônico
Salmo 136

O valor teológico

Os salmos ajudam os fiéis de hoje a compreender a Deus, a si mesmos e ao relacionamento que têm com Deus. Os salmos retratam toda gama de emoções humanas: alegria, desespero, culpa, consolo, amor, ódio, gratidão e insatisfação.

 

Provérbios


Apesar do nome, o livro de Provérbios é mais  que uma coletânea de provérbios. Contém alguns discursos longos e termina com um poema à mulher virtuosa.


A natureza da literatura proverbial

Toda cultura possui seus provérbios e sua sabedoria tradicional. Na antigüidade, coletâneas de sabedoria tradicional serviam de texto para educação de jovens da aristocracia.

Provérbios tem outros aspectos em comum com os escritos de sabedoria de outras nações do antigo Oriente Próximo: é muito prático, sua estrutura e organização são semelhantes às de outros escritos de sabedoria. Mas a sabedoria israelita é diferente da de outras nações por afirmar que Deus é o ponto de partida na busca da verdadeira sabedoria.


Formas de ensino de sabedoria

Provérbios não é só interessante como leitura, seus ensinos são também memoráveis. Seguem-se algumas das principais formas de expressão:

Provérbio. Breve observação ética ou um ensinamento cuidadosamente construído.

Admoestação. Preceito escrito ou em forma de um provérbio curto ou como parte de um discurso longo.

Ditado numérico. O modelo numérico relaciona elementos que têm alguma coisa em comum depois de uma introdução.

Ditado do tipo “melhor é”. Segue o padrão: “A é melhor que B”.

Pergunta retórica. Pergunta com resposta óbvia que, ainda assim, leva o leitor a uma reflexão mais profunda.

Poema de sabedoria. Lições morais.

História exemplar. A história exemplar tem por objetivo ensinar uma lição moral.


A data e a autoria de Provérbios

O texto diz que os Provérbios de Salomão, os Provérbios de Salomão transcritos pelos homens de Ezequias, as Palavras de Agur e as Palavras do rei Lemuel são respectivamente de Salomão, de Salomão conforme transcrição dos escribas de Ezequias, de Agur e de Lemuel conforme aprendeu da sua mãe.

Não há indícios fortes que nos obriguem a abandonar a declaração bíblica de que Salomão escreveu a maior parte do livro. Já que não conhecemos a identidade dos autores, não temos como saber as datas de composição.

A origem dos provérbios

Dizer que Salomão foi o principal autor de Provérbios não implica que ele tenha redigido cada provérbio de suas divisões. Com certeza uma fonte básica da sabedoria israelita era a família, na qual os ensinos tradicionais eram transmitidos de geração em geração. Uma segunda fonte eram as escolas em que os escribas tanto compilavam como compunham literatura de sabedoria.

 

ESTRUTURA DO TEXTO

OS PROVÉRBIOS DE SALOMÃO
1.1—24.34
Os discursos de Salomão
1.8—9.18
Provérbios
10.1—22.16
Trinta ditados sobre os sábios
22.17—24.22
Ditados complementares dos sábios
24.23-34

 
A COLETÂNEA DE EZEQUIAS
25.1—29.27
A etiqueta real
25.1-15
As relações interpessoais
25.16-27
O trato com pessoas difíceis
25.28—26.28
A fidelidade no amor
27.1-27
A opressão e a necessidade da lei
28.1—29.27


AS PALAVRAS DE AGUR
30.1-33
Título e prólogo
30.1-9
Ensinamentos diversos
30.10-33


AS PALAVRAS DO REI LEMUEL
31.1-31
Título e prólogo
31.1-9
Em louvor da mulher virtuosa
31.10-31

O valor teológico

Provérbios desafia os fiéis a aprenderem lições de gerações passadas. O livro apresenta as implicações práticas da confissão de que Deus é o Senhor de tudo que diz respeito à vida.

 

Eclesiastes


Eclesiastes incomoda muitos leitores cristãos. Desde o começo, quando declara que tudo é inútil (1.2), parece ser escandalosamente pessimista e negativo em relação à vida.


Autoria e data

Eclesiastes diz ter sido escrito por um filho de Davi que foi rei de Israel em Jerusalém. Isso aponta para Salomão, uma vez que, além de Davi, foi o único que governou Judá e Israel unidos.

A linguagem de Eclesiastes. O hebraico de Eclesiastes é bem incomum e às vezes quase obscuro.

Evidência interna. Alguns afirmam que o próprio texto insinua que Salomão não é o autor.

Evidência literária. Certas passagens de Eclesiastes são muito parecidas com outras literaturas do antigo Oriente Próximo.

Mensagem e propósito

Depois de absorver o choque inicial da leitura de Eclesiastes, leitores cristãos muitas vezes o descrevem como uma defesa da fé ou até mesmo como uma obra evangelística.

Muitos leitores têm observado um ceticismo empedernido em Eclesiastes. Se Eclesiastes é uma obra apo­logética, é sem dúvida diferente de qualquer outra defesa da fé já escrita.

Destinado à elite política e intelectual de Israel, o “pessimismo” do livro faz sentido. Ele estava falando para aquelas pessoas mais propensas a construir sua vida sobre a base do sucesso, riqueza, poder e reputação intelectual.

 
Estrutura

Para o leitor de hoje, Eclesiastes, a princípio, parece não ter nenhuma estrutura. Uma leitura cuidadosa, porém, mostra que Eclesiastes avança com cuidado por um grupo de assuntos selecionados.
 

ESTRUTURA DO TEXTO

Introdução
1.1-2
Do tempo e do mundo
1.3-11
Da sabedoria
1.12-18, 2.12-17, 6.10—7.6
Da riqueza
2.1-11,2.18-26, 4.4-8, 5.10—6.9, 11.1-6
Do tempo e do mundo
3.1-15a
Da política
3.15b-17, 4.1-3, 4.13-16, 5.8-9, 7.7-10, 9.13—10.17
Da morte
3.18-22
Da religião
5.1-7
Da sabedoria e da riqueza
7.11-14
Da sabedoria e da religião
7.15-29
Da política, da morte e da justiça de Deus
8.1—9.6
Da satisfação
9.7-12
Da política e da riqueza
10.18-20
Da satisfação, do tempo e do envelhecimento
11.7—12.7
Conclusão
12.8-14

O valor teológico

Eclesiastes desafia seus leitores a viver no mundo como ele realmente é, em vez de viver em um mundo de falsas esperanças. Eclesiastes desafia seus leitores a abandonar as ilusões da vaidade, encarar a morte e a vida com honestidade e aceitar com temor e tremor a sua dependência de Deus.







Cântico dos Cânticos


O nome completo do livro é “Cântico dos Cânticos de Salomão”. Em hebraico, a expressão Cântico dos Cânticos na verdade significa o melhor cântico.


Data e autoria

O título provavelmente denota que Salomão o escreveu, mas pode significar apenas que era parte de sua coleção e que talvez tenha sido escrito por um cantor da corte.

A razão pela qual muitos estudiosos consideram Cântico dos Cânticos uma obra mais recente é que parte de seu vocabulário parece incompatível com uma data mais antiga.

Alguns estudiosos acreditam que Cântico dos Cânticos possui várias palavras em aramaico. Muitos judeus falavam essa língua durante o período inter­testamentário e neotestamentário.


Indícios geográficos

Cântico dos Cânticos menciona localidades de toda a antiga Palestina. Isso inclui lugares tanto em Israel ao norte como no território de Judá ao sul.


Indícios culturais

As imagens poéticas de Cântico dos Cânticos refletem uma época de grande prosperidade. Isso também apóia a idéia de que o livro foi escrito nos dias de Salomão.

 
Indícios literários

O estilo poético que vemos em Cântico dos Cânticos não é raro no mundo antigo. Do Egito, no período entre 1300 e 1100 a.C. aproximadamente, procedem muitas canções de amor que apresentam semelhanças notáveis com Cântico dos Cânticos.

É provável que Salomão estivesse familiarizado com os poemas de amor egípcios produzidos nos trezentos anos anteriores. Isso explicaria por que Cântico dos Cânticos tem tanto em comum com seus pares egípcios. Salomão, afinal, era cosmopolita em erudição e gostos.

 
A interpretação

Nenhum outro livro da Bíblia (exceto, talvez, Apocalipse) recebe tantas interpretações radicalmente diferentes quanto Cântico dos Cânticos. As principais são as seguintes:

Interpretação alegórica. Os judeus o tomam como uma representação do amor entre o Senhor e Israel, e os cristãos o consideram uma canção sobre o amor entre Cristo e a igreja.

Interpretação dramática. Nos últimos duzentos anos, muitos intérpretes têm afirmado que Cântico é uma história teatral.

Interpretação da música de casamento. Alguns afirmam que Cântico dos Cânticos é uma música de casamento.

Interpretação da canção de amor. A melhor interpretação é a mais simples e óbvia. Cântico dos Cânticos é uma canção de amor com três papéis —um homem, uma mulher e um coro de mulheres.

 

O sentido e a mensagem

Uma razão para o crescimento da interpretação alegórica de Cântico dos Cânticos é que muitos pensavam que uma simples canção de amor não devia estar na Bíblia e que, a menos que fosse alegorizada, não se podia encontrar nela uma mensagem teológica.

Primeiro, como o propósito da Bíblia é servir de guia em todos os aspectos da vida, Cântico dos Cânticos trata de um dos aspectos universais da vida humana — amor, casamento e sexualidade.

Segundo, embora o livro ensine pelo exemplo e não por mandamentos, sua mensagem é clara. O amor que tinham um pelo outro exigia exclusividade e compromisso.

Terceiro, Cântico dos Cânticos celebra o amor entre um homem e uma mulher como algo válido e belo, mesmo num mundo decaído e pecaminoso.

Quarto, Cântico dos Cânticos difere de seus pares do antigo Oriente Próximo num aspecto significativo: não transforma a sexualidade num ritual sagrado.

Cântico dos Cânticos, portanto, deve ser considerado tal como é. É uma canção de amor e uma afirmação do valor do vínculo entre um homem e uma mulher. Dessa forma, o livro aumenta muito o valor que atribuímos à criação de Deus.


O valor teológico

Os aspectos sexuais e emocionais do amor entre um homem e uma mulher são dignos de atenção na Bíblia. A sexualidade e o amor são fundamentais à experiência humana. O amor mútuo entre o homem e a mulher em Cântico dos Cânticos é uma reafirmação do amor entre o primeiro homem e a primeira mulher.